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O Dia das Mães pela perspectiva de mães surdas | Jornal em Destaque por Helio de Carvalho em GERAL

O Dia das Mães pela perspectiva de mães surdas

É preciso antes de tudo sermos mais humanos e enxergarmos as necessidades do próximo; compartilha uma mulher sobre sua experiência como mãe surda



O Dia das Mães pela perspectiva de mães surdas Classificação

08/05/2022 14:53 ( Atualizado em 08/05/2022 15:47) | São Paulo | GERAL |

Helio de Carvalho

Hoje (8) se celebra o Dia das Mães. A data serve para enaltecer todos os tipos de mães, sejam quais forem as configurações de sua família, e valorizar a diversidade que existe dentro da maternidade. Desta forma, o Jornal que mais atua, em sua região, na inclusão e democratização da informação e único a disponibilizar seu conteúdo em LIBRAS, não poderia esquecer das mães que fazem parte da comunidade surda. Por esta razão, este ano, nós do ED trazemos essa matéria da Hand Talk, startup brasileira fundada em 2012, que foca em fazer bom uso da tecnologia trazendo mais acessibilidade para o mundo. A empresa oferece dois produtos diferentes, o Hand Talk App, que realiza traduções digitais e automáticas para Libras e ASL (Língua Americana de Sinais), e o Hand Talk Plugin, que torna sites acessíveis para a comunidade surda com traduções para Libras.

 

A Hand Talk conversou com duas mulheres surdas, que dividiram um pouco de suas experiências como mães.

 

É importante saber que dentro da própria comunidade surda há uma grande diversidade. Desde CODAs (pessoas filhas de pais surdos), até pessoas que se comunicam principalmente por meio da Libras (Língua Brasileira de Sinais), e pessoas oralizadas, que podem contar com implantes cocleares e se apoiam na leitura labial e na fala para se comunicarem. Com isso em mente, trazemos os depoimentos de Fátima Ducati, mulher surda que usa Libras, e Beatriz Sales, mulher surda oralizada. Ambas representam diferentes espectros dentro da comunidade surda, e nos contam de vivências distintas na maternidade.

 

As duas mães começaram falando um pouco das dificuldades e barreiras que enfrentaram por causa de suas deficiências. A falta de acessibilidade na comunicação já é um problema conhecido há tempos, e a falta de autonomia que isto causa no momento de participar ativamente das vidas dos filhos é frustrante.

Nas consultas pediátricas, sempre precisei pedir apoio de outras pessoas, ou até mesmo da minha filha, para entender o que o médico explicava”, diz Fátima.

 

Já Beatriz conta ter vivido adversidades diferentes, ao ser uma mulher oralizada. A leitura labial definitivamente se tornava uma aliada no momento de se comunicar, mas não deve ser a única solução para poder participar da criação dos filhos. A pandemia, por exemplo, se apresentou como um grande obstáculo nessas situações.

Uma grande dificuldade que sinto é a da comunicação com máscaras atualmente. Por eu depender da leitura labial, ela se torna um grande obstáculo”, explica.

 

Apesar das perspectivas diferentes, Fátima e Beatriz concordam que deveria haver mais acessibilidade e inclusão na comunicação com pessoas surdas, principalmente nas áreas médicas e escolas. Fátima comenta que

temos muitas informações e tecnologia, mas nada adianta se não contarmos com a boa vontade e empatia das pessoas em colocar isso em prática”. Beatriz reforça “mais inclusão em hospitais, e comunicação com os profissionais da saúde!”.

 

Mesmo com diversos desafios externos, a vida dentro do núcleo familiar sempre correu muito bem para ambas, se comunicando por Libras, leitura labial, ou até uma mescla de ambos.

Eu amo ser mãe, e ser surda não foi nenhum impedimento para isso”, fala Fátima. 

 

Já Beatriz, conta mais a fundo como foi a sua experiência como mulher surda oralizada, enquanto o pai de suas filhas é surdo usuário da Libras.

Minhas filhas são fluentes em Libras, e sempre trabalhei também a prática da leitura labial. A Libras é muito com o pai delas, e comigo mesclamos a leitura labial. Essa experiência das duas formas foi muito importante!”.

 

Todas as mães têm dificuldades na maternidade, e com as mulheres surdas não é diferente. No entanto, ainda possuímos um longo caminho como sociedade para garantir que elas tenham autonomia e recursos de acessibilidade disponíveis para conseguirem exercer seus papéis como mãe como desejarem, da melhor forma possível, e sem barreiras causadas pela falta de inclusão.

 

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