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O DIA EM QUE CONHECEMOS OS ADVOgados | Jornal Em Destaque por Samuel Marques em Colunista


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O DIA EM QUE CONHECEMOS OS ADVOgados



O DIA EM QUE CONHECEMOS OS ADVOgados Classificação

Postado há 5 meses | Rio de Janeiro | Colunista |

Samuel Marques

Essa semana o STF condenou os primeiros réus da fatídica tentativa de golpe do dia 08 de Janeiro, na Praça do Três Poderes. E junto com o julgamento, e mais virão por aí, conseguimos observar e assistir um show de horrores, onde o que importava mesmo era “like”, curtidas e engajamento em rede social, e nunca a defesa de seus clientes. Advogados devidamente constituídos usaram a tribuna da Suprema Corte, para proferir ódio e ataques aos Ministros que ali se encontravam, uma estratégia nada inteligente se tratando de quem são eles que julgam os méritos ali apresentados e defendidos. Mas, de nada importava se tratar de um julgamento onde o réu espera, no mínimo, que seu advogado faça seu trabalho e, quem sabe, consiga a absolvição, ou pelo menos que se atenue a pena. Mas o objetivo era outro, e parafraseando Zeca Baleiro, como palhaços do circo Vostok, a graça era pouca e a pena gigante. O resultado todo mundo já sabe: os réus foram condenados, e a porteira está aberta - agora parafraseei Ricardo Salles, que grande bosta! Mas, enfim, a partir de agora novas condenações chegarão.

O que pretendo chamar a atenção é como esses advogados conseguiram, em um único dia, nos dar a medida certa do que assistimos nos quatro anos que antecederam este governo, e que ainda veremos durante muito tempo uma parte do país ser nivelada por baixo.


Três advogados conseguiram retratar com muita fidelidade o pensamento e comportamento bolsonaristas, e vou fazer isto um a um, para que fique fácil o entendimento de todos:

O primeiro se trata do advogado que confundiu alhos com bugalhos, mas ele se enquadra na espécie muito comum de bolsonaristas - aquele que tenta mostrar um conteúdo que não tem; o que se acha cientista, empresário, historiador, filósofo, político e intelectual de direita... tudo isto ao mesmo tempo e, no final, não sabe de nada, se informa com fakes e interpretações equivocadas e desonestas. Um pândego de péssimo gosto, aliado com um tom de voz debochado e soberbo. No seu discurso citou o “Pequeno Príncipe”, como autor de uma frase de Maquiavel, autor de “O Príncipe”. O garoto que vagava por planetas tentando preencher sua solidão, na verdade, é obra de Antoine de Saint-Exupéry, um aristocrata e aviador. Com a cara mais deslavada do mundo, o advogado fala esse absurdo e faz que não é com ele a tamanha besteira, e se alguém dissesse que ele estava errado ali na hora, ele diria que era mentira do desavisado que o tentou corrigir. Do mesmo tipo que lhe manda uma “Fake News”, você aponta a verdade, e ele diz que não é verdade, e por isto mesmo o filho do Lula é dono do Google, para poder tentar se infiltrar na cabeça das pessoas e espalhar mentiras. Esse tipo de bolsonarista foi o que governou o país e que acreditava que Olavo de Carvalho era filósofo - o mesmo que acreditava que a Terra é plana. Não faz nenhuma falta!

O segundo destaque, e vou tentar ser breve, é o advogado que na sua explanação, aproveitou para contar em detalhes as andanças de seu cliente dentro dos locais que ele invadiu, e no final, perguntou qual era o problema disto. Ora, depois de narrar uma invasão de um bem público e sua depredação, assumindo assim a culpa do réu, o advogado esperava mais o quê? Condenação certa! Esse representa o bolsonarista que sabe dos crimes cometidos por seu político de estimação, mas pergunta qual é o problema? Crime mesmo só se for dos outros. É a cara do bolsonarismo, que finge não ver, por exemplo, que toda vez que a PF chegava perto dos filhos do ex-presidente, o Delegado era retirado do caso. Ou aquele pano básico para toda ordem de corrupção encaixado nos empréstimos consignados pela Caixa dias antes da eleição. Isso sem falar na tentativa de vender presentes dados por outros chefes de Estado envolvendo até mesmo agentes do glorioso Exército Brasileiro.

A terceira, e não menos importante, é o bolsonarista que chora, principalmente quando percebe que a derrota é certa, e que não tem preparo mínimo para aquilo que se colocou à disposição. Quem sabe não dá pena nas pessoas, e elas te perdoem. Mas, vale ressaltar que o choro da advogada não estava só em relação ao nervosismo e desespero de um caso perdido, mas segundo ela mesma, porque os membros do STF cumprimentaram os presentes, mas não seguiram um rito que para ela era fundamental: um cumprimento exclusivo aos advogados. Ué, todos eles não estavam presentes? O cumprimento a todos e todas, não serviam para eles? São mais importantes que os outros, a ponto de precisarem de uma reverência especial? De onde essa gente tira essas coisas?! Ah, já sei: do sonho e devaneios de que são a nata da sociedade. Faltou apenas um discurso sobre a importância dos arianos para o resto da Europa. Mas, assim como Jesus, ela chorou. E sim, saibam que essa é a intenção: se assemelharem às divindades, e buscarem a qualquer preço o discurso de vítimas de um julgamento político, o que não é.


Relator das investigações contra os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal Relator das investigações contra os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

Dilma perdeu seu mandato por algo que, logo depois, foi verificado que não se tratava de crime, e não chorou. Lula foi preso por um juiz que depois virou Ministro de quem só consegui ser presidente porque Lula foi preso, e não foi pra frente das câmeras chorar. Esses sim são casos de julgamentos políticos.

O que vimos na semana passada se trata, também, do retrato de uma parte da sociedade brasileira. Sem noção da realidade, sem condição e debater com qualquer um que estuda o mínimo, ainda mais Ministros da Suprema Corte, e com uma honestidade seletiva absurda. Com sustentações orais de quinta categoria - e por isto nós professores prezamos tanto pela necessidade de apresentar trabalhos na frente da turma toda - dá para notar o nível de profissionais que, a meu ver, deveriam, por seus comportamentos longe da real atuação de um advogado, ser punidos pela OAB. Para estes só sobrou uma coisa: a condenação e a derrota.

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