TUDO BEM!





09/08/2021 15:00 | Rio de Janeiro | Colunista |

Bruna Richter



A existência é composta por altos e baixos. Neste sentido, segue muito diferente de uma estrada longa e pacífica que permanece calma e fluida rumo ao infinito. Ela lembra mais as cambalhotas, com subidas íngremes e descidas assustadoras, com suas idas e vindas e surpreendentes reviravoltas, tal qual uma montanha russa.


Deste modo, diante do incontrolável, podemos ajustar nossa sensibilidade para nos aceitarmos com maior compaixão. Se a vida pode ser, por vezes, bem complexa, cabe a nós suavizar um pouco da dureza e austeridade que nos é imposta. Flexibilizar, aceitar, acolher, abrigar-nos de forma a tornar um pouco mais fácil suportar tudo o que ela vier a nos apresentar.


Se o ótimo é inimigo do bom, podemos pensar em nos permitir mais. Relevar aquilo que não sai como planejado, que foge ao controle, que escapa de nossas mãos. Lembrar que, de uma forma ou de outra, alguns planos dão errado, mas que nada disto assume um lugar de destaque se mantivermos em mente uma simples frase: tudo bem!


Tudo bem errar! Mesmo que nos esforcemos cotidianamente para alcançar o nosso melhor, equívocos são inevitáveis. Contudo, é inclusive a partir deles que geralmente criamos novas e mais eficazes estratégias, mudando certos padrões. Dessa maneira, essas falhas nos ajudam a ampliar nosso conhecimento, além de serem algo muito próprio do humano.


Tudo bem não ser perfeito! Refletir sobre isto nos ajuda na conexão com nossa própria vulnerabilidade. Essa suscetibilidade, por sua vez, nos auxilia a formar laços afetivos mais intensos e robustos com outras pessoas. Podemos buscar apreender a beleza que se esconde no inexato, no incompleto. Desvelar novas formas de pensar essas antigas questões.


Tudo bem fazer o que nos parece melhor! Isto, inclusive, é uma necessidade. A despeito do que muitos pensam, priorizar-nos nos aproxima do autoamor e da autoaceitação e não ao egoísmo. Sustentar um olhar mais generoso para nós mesmos e permitir que seja feito apenas aquilo que se deseja naquele momento. Além de saber limites quando indispensável.


Tudo bem ter dias ruins! Não somo máquinas para produzir em série, do mesmo modo, o tempo todo. Nosso melhor pode parecer diferente nos dias distintos e é mandatório abraçar esta ideia. Entender que não apenas nossa produtividade, como nossa disponibilidade também flutua, sem que isto interfira em nosso modo de prosperar.


Tudo bem sermos nós mesmo! Desse jeito. Exclusivo. Darmo-nos conta de que não existe uma única pessoa igual a nós em todo o mundo inteiro. Admirar nossos conjuntos de predicados, pois seria um verdadeiro desrespeito à nossa singularidade tentar um ajuste forçado para caber em locais que não nos aceitam como somos.

E, caso não faça sentido e seja necessário fazer de outro modo, só resta algo a dizer: tudo bem!